EUA confirmam tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros
O governo dos Estados Unidos oficializou no dia 16 de julho, uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho. A confirmação da medida, que havia sido anunciada em junho como proposta, transforma em realidade um dos maiores desafios recentes para o comércio exterior brasileiro e já provoca reações nos mercados e no governo.
A base legal e os motivos
A tarifa tem como fundamento jurídico a Seção 301 da legislação americana de comércio, que autoriza o governo dos EUA a retaliar países com práticas consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses americanos. A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial apontou uma série de práticas brasileiras como justificativa para a medida: o funcionamento do Pix em detrimento de serviços de pagamento americanos, tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a países como México e Índia, restrições à importação de etanol americano, desmatamento ilegal com impacto na concorrência agrícola, e falhas no combate à pirataria e à corrupção.
O que está isento e o que será taxado
A medida não é uniforme, e a lista de isenções é extensa. Ficam de fora da tarifa adicional itens estratégicos como petróleo, café, carne bovina, aeronaves civis, suco de laranja e celulose. Por outro lado, produtos como etanol, máquinas agrícolas, calçados e papel passam a ser sobretaxados a partir de 22 de julho. Aço e alumínio seguem sob tarifa de 50%, já prevista anteriormente em medida separada.
Um risco adicional no horizonte
A situação pode ficar ainda mais complexa. Paralelamente à tarifa de 25%, os EUA avaliam aplicar uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos de até 60 países, incluindo o Brasil, por suposta falta de fiscalização contra o trabalho forçado em cadeias produtivas. Se aplicada ao Brasil, a tarifa total sobre parte das exportações brasileiras poderia chegar a 37,5%, um nível que tornaria muitos produtos nacionais inviáveis no mercado americano.
O impacto nos números
Os efeitos já são visíveis antes mesmo da entrada em vigor da nova tarifa. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, 20 dos 27 estados brasileiros reduziram suas exportações para os EUA no primeiro semestre, com queda acumulada de 13%, equivalente a US$ 2,6 bilhões, desde 2025, puxada principalmente por produtos siderúrgicos e petróleo.
A Amcham estima que o impacto total da tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras pode chegar a US$ 11 bilhões. O dólar já respondeu, subindo para R$ 5,10, no dia do anúncio, e a Bolsa abriu em queda, reflexo direto da aversão ao risco gerada pela confirmação da medida.
A resposta brasileira
O governo brasileiro sinalizou que não deve aceitar a medida passivamente. O ministro da Fazenda indicou que o governo deve retomar o processo da Lei de Reciprocidade, instrumento que permitiria ao Brasil adotar medidas equivalentes contra produtos americanos em resposta a práticas comerciais consideradas desleais.
Do lado americano, um alto funcionário do governo afirmou que as medidas podem ser revistas caso o Brasil retalie, mas ressaltou abertura ao diálogo. A declaração é ambígua: pode ser lida tanto como uma ameaça quanto como uma sinalização de que há espaço para negociação antes de 22 de julho.
Quais setores precisam ficar atentos
Para exportadores brasileiros, o mapa de impactos é claro. Os setores mais afetados incluem calçados, máquinas agrícolas, papel e etanol. Empresas que exportam para os EUA precisam recalcular seus custos e avaliar a viabilidade de suas operações com a nova estrutura tarifária.
Para importadores brasileiros de produtos americanos, a retaliação via Lei de Reciprocidade, se concretizada, pode encarecer itens como equipamentos industriais, tecnologia e produtos agrícolas originários dos EUA.
Um cenário de múltiplas pressões
A confirmação da tarifa americana chega em um momento em que o comércio exterior brasileiro já enfrenta uma série de desafios simultâneos: o veto europeu às carnes, a instabilidade nas rotas marítimas decorrente do conflito no Oriente Médio, a ameaça de paralisação dos caminhoneiros e agora uma barreira tarifária significativa no principal mercado individual para as exportações brasileiras.
A resposta brasileira nas próximas semanas, seja pela via diplomática, pela retaliação comercial ou pela busca de novos mercados, será determinante para o desempenho do comércio exterior no segundo semestre de 2026.