Banco central chinês fixa yuan abaixo de 7 dólares
O Banco Popular da China (PBOC) fixou na última sexta-feira, a taxa de câmbio do yuan abaixo de US$ 7, em US$ 6,9929, movimento registrado pela primeira vez desde maio de 2023. A decisão sinaliza que Pequim está disposta a permitir uma valorização gradual da moeda chinesa, em um contexto de enfraquecimento da confiança global nos ativos denominados em dólar.
Pressão sobre o dólar impulsiona fortalecimento do yuan
A mudança ocorre em meio a um cenário de maior volatilidade no mercado cambial internacional. A confiança em ativos norte-americanos foi abalada após ameaças tarifárias do presidente Donald Trump, relacionadas à proposta de adquirir a Groenlândia.
Mesmo após o recuo da declaração durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, investidores europeus anunciaram planos de venda ou já iniciaram a redução de suas posições em títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Como reflexo, o índice do dólar caiu de 99,45 para aproximadamente 98,27 ao longo da semana, abrindo espaço para o fortalecimento de outras moedas, incluindo o yuan.
Projeções indicam nova valorização da moeda chinesa
Analistas do Bank of America avaliam que o yuan pode atingir 6,8 por dólar até o fim do ano, sustentado principalmente pelo superávit em conta corrente da China e pela percepção de que a moeda segue subvalorizada.
A valorização atual representa uma inflexão em relação à política adotada por Pequim nos últimos anos, que mantinha o yuan mais fraco como forma de preservar a competitividade dos exportadores chineses.
Equilíbrio delicado entre moeda forte e exportações
O movimento evidencia um dilema estratégico para o governo chinês. Por um lado, a China busca consolidar o yuan como uma moeda forte e amplamente utilizada no comércio e nas finanças internacionais. Por outro, uma valorização excessiva pode encarecer os produtos chineses para compradores estrangeiros, impactando negativamente o setor exportador.
Nos últimos meses, o yuan vem se fortalecendo de forma consistente. O PBOC tem atuado para conter o ritmo da valorização, mas a decisão de não manter a taxa acima de US$ 7 indica maior tolerância a um fortalecimento moderado da moeda.
Banco central chinês mira crescimento econômico em 2026
O banco central seguirá com uma política monetária moderadamente expansionista em 2026, com foco na promoção de um crescimento econômico estável e na recuperação gradual dos preços. Declararam que há espaço para novos cortes na taxa de compulsório (RRR) e nas taxas de juros ainda este ano, com o objetivo de manter os custos gerais de financiamento em níveis reduzidos.
Foco em demanda interna e internacionalização do yuan
A estratégia do PBOC também inclui:
- Estímulo à expansão da demanda doméstica
- Apoio à inovação tecnológica
- Fortalecimento das pequenas e médias empresas
- Avanço na internacionalização do yuan
No cenário internacional, a China pretende impulsionar reformas na governança financeira global e reforçar o papel de Xangai e Hong Kong como centros financeiros internacionais.
Impactos para o comércio global
A valorização do yuan pode gerar efeitos relevantes no comércio internacional, influenciando preços, fluxos comerciais e estratégias de exportação e importação. Para países parceiros, como o Brasil, mudanças no câmbio chinês podem afetar a competitividade de commodities, manufaturados e a dinâmica das relações comerciais bilaterais.