Exportadores de frango traçam novas rotas após fechamento do Estreito de Ormuz
O fechamento do Estreito de Ormuz, provocado pelo conflito entre EUA, Israel e Irã, está forçando o setor exportador brasileiro de frango a se reinventar rapidamente. Com cerca de 30% de toda a exportação brasileira de frango destinada ao Oriente Médio, a crise logística na região é sentida diretamente pelos produtores e operadores brasileiros.
A dependência é dos dois lados
Os números mostram o quanto essa relação comercial é estratégica. Mais da metade do frango importado pela Arábia Saudita vem do Brasil. No caso dos Emirados Árabes Unidos, essa dependência é ainda maior: 74% do frango consumido no país é de origem brasileira.
Ou seja, não é só o Brasil que precisa encontrar uma solução, os próprios países do Oriente Médio têm interesse direto em manter o fluxo de abastecimento funcionando.
As três rotas alternativas
Diante do bloqueio no Estreito de Ormuz, três caminhos alternativos estão sendo utilizados pelos exportadores
1. Estreito de Bab el-Mandeb, com acesso ao Mar Vermelho. A rota permite contornar o bloqueio pelo sul, mas exige atenção às condições de segurança na região, que também registrou instabilidade nos últimos meses.
2. Porto de Salalah, em Omã, com transporte terrestre até Dubai. A carga desembarca no porto omanense e segue por via terrestre até seu destino final nos Emirados, uma solução viável, mas que adiciona tempo e custo à operação.
3. Porto de Khorfakkan, na costa leste dos Emirados Árabes Unidos. Localizado fora do Golfo Pérsico, o porto permite o recebimento de cargas sem a necessidade de passar pelo Estreito de Ormuz, tornando-se uma alternativa logística relevante no cenário atual.
O desafio regulatório
Além dos desafios físicos das rotas, há uma barreira burocrática importante a superar. Para viabilizar o uso dessas novas rotas marítimas e terrestres, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já encaminhou ao Ministério da Agricultura um pedido de flexibilização na documentação de embarque.
Isso porque os documentos exigidos para exportação, como certificados sanitários e de origem, foram originalmente emitidos para rotas específicas. A mudança de trajeto exige adaptações nos registros, e a agilidade do governo nessa autorização será determinante para que os embarques sigam sem maiores atrasos.
O que esse episódio revela
A situação do frango brasileiro é um exemplo claro de como conflitos geopolíticos distantes podem impactar diretamente a cadeia produtiva nacional. Um bloqueio no Golfo Pérsico afeta frigoríficos no interior do Brasil, eleva custos logísticos e exige respostas rápidas de produtores, operadores e governo.
O episódio também reforça a importância de ter planos de contingência logística e parceiros especializados capazes de identificar rotas alternativas com rapidez, e de lidar com a documentação necessária para viabilizá-las.