Terminal de Goiânia conquista certificação internacional para cargas farmacêuticas
Uma boa notícia para a logística de cargas especiais no Brasil. O Terminal de Cargas do Aeroporto de Goiânia conquistou a certificação CEIV Pharma da IATA, a principal certificação internacional para o transporte aéreo de produtos farmacêuticos, tornando-se o primeiro terminal fora do Sudeste a receber esse reconhecimento no país. Com a conquista, o Brasil passa a contar com quatro terminais certificados pelo programa.
O que é a certificação CEIV Pharma
O CEIV Pharma - Center of Excellence for Independent Validators in Pharmaceutical Logistics - é um programa da IATA que atesta que um terminal aéreo atende aos mais rigorosos padrões internacionais de qualidade, rastreabilidade e controle de temperatura no manuseio de cargas farmacêuticas. Obtê-la exige auditorias técnicas detalhadas, adequação de infraestrutura e treinamento especializado de equipes.
Para indústrias farmacêuticas, hospitais e distribuidoras de medicamentos, a certificação é um requisito crescente, especialmente em operações de exportação para mercados europeus e americanos, onde as exigências regulatórias são cada vez mais rígidas.
Um terminal construído para o frio
Inaugurado em 2025 com investimento de cerca de R$ 25 milhões, o terminal de Goiânia é considerado o primeiro terminal de cargas totalmente refrigerado do Brasil. A estrutura conta com duas câmaras frias capazes de armazenar produtos em temperaturas entre -18°C e 25°C, além de monitoramento em tempo real das cargas, recursos que atendem desde vacinas e hemoderivados até medicamentos de temperatura ambiente controlada.
A infraestrutura foi projetada desde a concepção para atender os padrões internacionais, o que explica a velocidade com que o terminal obteve a certificação após sua inauguração.
Por que Goiânia faz sentido
A certificação ganha ainda mais relevância quando se observa o perfil produtivo do estado de Goiás. O estado é responsável por cerca de 60% dos medicamentos mais comercializados no Brasil, com um polo farmacêutico concentrado no eixo Anápolis, Goiânia e Aparecida de Goiânia. Só o Distrito Agroindustrial de Anápolis reúne 17 indústrias farmacêuticas e mais de 20 laboratórios.
Ter um terminal certificado a menos de 50 quilômetros desse polo industrial é um avanço logístico significativo. Até agora, cargas farmacêuticas produzidas em Goiás que precisavam de transporte aéreo com padrão CEIV precisavam ser deslocadas até terminais do Sudeste, especialmente Guarulhos, o que aumentava custos, prazos e o risco de quebra da cadeia de frio durante o transporte terrestre até o embarque.
Uma mudança no mapa logístico farmacêutico
Antes do terminal de Goiânia, apenas terminais do Sudeste detinham a certificação CEIV Pharma no Brasil. Viracopos, em Campinas, também possui certificação da Anvisa para cargas farmacêuticas, mas o reconhecimento internacional da IATA estava restrito a São Paulo.
A expansão da certificação para o Centro-Oeste representa uma descentralização importante da infraestrutura logística de alto padrão no país, e um sinal de que o setor privado está investindo em regiões estratégicas para a indústria nacional.
O que muda para o setor
Segundo a concessionária responsável pelo terminal, a certificação deve expandir o atendimento aos segmentos farmacêutico, hospitalar e químico, todos com exigências elevadas de qualidade, rastreabilidade e controle de temperatura. Para empresas desses setores que operam em Goiás e no Centro-Oeste, a novidade representa acesso a uma infraestrutura de padrão internacional sem a necessidade de deslocamento até o Sudeste.
Para importadores e exportadores de produtos farmacêuticos, a ampliação da rede de terminais certificados no Brasil também significa mais opções logísticas e maior resiliência operacional, especialmente em momentos de congestionamento nos terminais de São Paulo.