Frete rodoviário deve subir 20% em fevereiro com avanço da safra de soja
O custo do transporte rodoviário de cargas no Brasil deve registrar forte alta ao longo de fevereiro de 2026. Impulsionado pelo avanço da colheita de soja no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, o frete pode subir cerca de 20%, alcançando o pico anual do setor logístico.
Embora o aumento seja significativo, a expectativa é que os valores fiquem abaixo do patamar observado em 2025.
Safra concentrada pressiona corredores logísticos
A principal razão para a alta é a concentração do escoamento da safra. Diferentemente do ano passado, quando atrasos na retirada dos grãos diluíram o fluxo ao longo dos meses, em 2026 o volume chega ao mercado de forma mais rápida e concentrada.
Essa dinâmica provoca forte pressão sobre os principais corredores logísticos do país, aumentando a disputa por caminhões e elevando os preços do transporte.
Portos operando em ritmo intenso
Outro fator determinante é a forte demanda nos portos brasileiros. A programação de embarques segue aquecida, com destaque para o Porto de Santos, onde cresce o número de navios aguardando carregamento.
Esse cenário amplia a concorrência por transporte rodoviário, já que a soja precisa chegar aos terminais dentro de janelas logísticas cada vez mais apertadas.
Falta de armazenagem agrava o problema
Um dos gargalos estruturais mais relevantes continua sendo a capacidade limitada de armazenagem no Brasil. Atualmente, o país consegue estocar apenas cerca de 70% da produção agrícola, percentual significativamente inferior ao de concorrentes como os Estados Unidos, que possuem capacidade superior ao volume produzido.
Na prática, essa limitação obriga produtores a vender e transportar a safra justamente nos momentos de maior congestionamento logístico, reduzindo margens e diminuindo o poder de negociação.
Fiscalização do piso mínimo eleva custos
Além dos fatores sazonais, o frete também sofre influência regulatória. Desde o final de 2025, a declaração eletrônica obrigatória do piso mínimo do frete aumentou significativamente o número de autuações.
Com a fiscalização mais rigorosa, o custo do transporte deixou de ser apenas um fenômeno conjuntural ligado à safra e passou a refletir também mudanças regulatórias permanentes.
Impactos para o comércio exterior
O aumento do frete rodoviário afeta diretamente a competitividade das exportações brasileiras, especialmente do agronegócio. Custos logísticos mais elevados reduzem margens, encarecem a operação portuária e podem influenciar prazos de embarque.
Para empresas que atuam no comércio exterior, o cenário reforça a importância do planejamento logístico antecipado, da diversificação de rotas e da gestão eficiente da cadeia de suprimentos durante o período de pico da safra.
A expectativa é que os preços permaneçam pressionados ao longo do primeiro trimestre, com gradual normalização após o escoamento mais intenso da safra.
Mesmo assim, o episódio reforça um desafio estrutural do país: a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura, armazenagem e integração logística para sustentar o crescimento das exportações brasileiras.