Tarifas marítimas voltam a subir após 13 semanas de queda na rota Ásia-Europa
Depois de 13 semanas consecutivas de queda, as tarifas de transporte marítimo de contêineres voltaram a subir nas principais rotas internacionais. O movimento é puxado pela recuperação dos preços entre Ásia e Europa, após a retomada da demanda que segue a Semana Dourada chinesa, e representa um sinal de atenção para importadores e exportadores que planejavam fretes mais baratos no quarto trimestre.
Por que as tarifas subiram
Dois fatores simultâneos explicam a alta desta semana. O primeiro é a demanda: a retomada das encomendas após a Semana Dourada chinesa (período de feriados que tradicionalmente resulta em acúmulo de pedidos represados) aqueceu o mercado nas principais rotas.
O segundo é a tentativa das armadoras de reverter a tendência de queda que durou mais de três meses. As companhias marítimas buscam elevar os valores por meio de tarifas FAK entre US$ 4.500 e US$ 4.800 por contêiner de 40 pés na rota Ásia-Europa.
O freio que pode limitar novos reajustes
A alta pode não se sustentar. Dois movimentos simultâneos ampliam a capacidade disponível no mercado: a redução das viagens canceladas pelas armadoras, que haviam sido usadas para sustentar preços ao longo dos últimos meses, e a retomada gradual das travessias pelo Canal de Suez, que aumenta a oferta de espaço nas rotas entre Ásia e Europa.
Com mais capacidade disponível, a capacidade das armadoras de manter reajustes fica limitada. A Drewry projeta maior estabilidade no curto prazo e alerta que demanda, ajustes de capacidade e incertezas geopolíticas continuarão sendo os principais fatores a influenciar os preços nas próximas semanas.
Como estão os portos na América Latina
Enquanto o mercado de fretes enfrenta esse novo período de pressão, as operações portuárias na América Latina permanecem, de forma geral, estáveis. Na Costa Leste da América do Sul, a maioria dos navios chegou dentro das janelas previstas de atracação, com tempos de espera entre zero e seis horas, segundo atualização de mercado referente a outubro.
No Brasil, houve pontos de pressão temporária. Santos e Itapoá registraram filas para atracação, ocupação dos pátios e restrições operacionais em determinados períodos, exigindo maior coordenação para preservar a continuidade dos serviços. Ainda assim, essas ocorrências não alteraram o quadro geral de estabilidade reportado para a região.
Os riscos que permanecem no radar
As condições meteorológicas seguem como o principal risco para a regularidade das operações portuárias. Períodos de nevoeiro, ventos fortes e ondas elevadas podem afetar manobras, atracações e tempos de espera nos terminais.
No Norte do Brasil, um fator adicional preocupa: a redução do nível do Rio Negro, em Manaus, acrescenta restrições de calado às preocupações operacionais, reforçando o alerta sobre a seca amazônica que vem sendo monitorada desde o início da estação seca.
O que esperar nas próximas semanas
O cenário que se desenha para o quarto trimestre combina forças em direções opostas. De um lado, a demanda aquecida pós-Semana Dourada e as tentativas das armadoras de elevar tarifas pressionam os fretes para cima. De outro, a maior capacidade disponível, com menos viagens canceladas e Canal de Suez mais acessível, limita o potencial de alta.
Para importadores e exportadores brasileiros, o recado é de atenção: o período de queda consistente nos fretes ficou para trás, pelo menos temporariamente. Planejar os embarques com antecedência e monitorar os índices semanalmente são os principais instrumentos para navegar esse ambiente de maior volatilidade.