Uma em cada dez cargas inspecionadas apresenta falhas de segurança no transporte marítimo
Mais de uma em cada dez unidades de transporte de carga inspecionadas por autoridades governamentais apresentaram algum tipo de deficiência de segurança em 2025. Os dados divulgados com base em inspeções realizadas em sete países, revelam que o problema persiste acima de 10% pelo terceiro ano consecutivo, e acendem um alerta para toda a cadeia logística internacional.
Os números da pesquisa
Ao longo de 2025, foram realizadas 93.079 inspeções em unidades de transporte de carga em Chile, Finlândia, Alemanha, Holanda, Coreia do Sul, Suécia e Estados Unidos. Desse total, 9.645 unidades (equivalente a 10,36%) apresentaram algum tipo de irregularidade.
Entre os problemas mais comuns identificados estavam documentação incorreta, marcação e rotulagem inadequadas, falhas na embalagem e fixação imprópria das cargas dentro dos contêineres.
A taxa de 2025 representa uma leve melhora em relação ao ano anterior: em 2024, o índice havia sido de 11,39%, e em 2023, de 11%. A trajetória de queda é positiva, mas a permanência acima de 10% pelo terceiro ano consecutivo indica que o problema é estrutural, não pontual.
Por que isso importa
As irregularidades identificadas não são apenas questões burocráticas. De acordo com o World Shipping Council, deficiências desse tipo podem aumentar o risco de danos às mercadorias, perda de contêineres no mar e incêndios a bordo dos navios, ampliando os riscos tanto para as embarcações quanto para as pessoas envolvidas na operação.
A declaração correta das mercadorias, assim como a embalagem, a fixação e a identificação adequadas, faz parte das obrigações básicas de segurança no transporte de cargas. Quando esses procedimentos não são cumpridos, os riscos se estendem para toda a cadeia logística, afetando armadoras, portos, seguradoras e os próprios embarcadores.
A preocupação ganha ainda mais peso no caso das cargas declaradas incorretamente ou não declaradas que envolvem mercadorias perigosas. Nos últimos anos, o setor de transporte marítimo de contêineres tem ampliado a atenção sobre esse tipo de ocorrência justamente pelo potencial de gerar acidentes graves durante o transporte.
Uma amostra limitada de um problema global
Um ponto importante para contextualizar os dados: os resultados não significam que 10,36% de todos os contêineres movimentados globalmente tenham problemas de segurança. Os números refletem apenas as unidades inspecionadas e reportadas por sete países à Organização Marítima Internacional, de um universo de mais de 170 Estados-Membros.
A baixa participação dos países no reporte de dados também chamou a atenção do World Shipping Council. Com apenas sete países contribuindo com informações, a capacidade de traçar um panorama mais amplo e representativo sobre as condições das cargas transportadas mundialmente é significativamente limitada. Para a entidade, ampliar o número de governos que reportam essas informações é fundamental para identificar riscos de forma consistente e direcionar medidas de segurança no transporte internacional.
O que isso significa para importadores e exportadores brasileiros
Para quem opera no comércio exterior, os dados do World Shipping Council trazem lições práticas em duas direções:
- Para exportadores, o recado é de atenção redobrada à conformidade documental e às boas práticas de embalagem e fixação de cargas. Irregularidades identificadas em inspeções podem resultar em atrasos no desembaraço, retenção de mercadorias, multas e responsabilização por danos causados durante o transporte. Em mercados como o europeu e o americano, onde as exigências regulatórias são crescentes, a conformidade é cada vez mais um requisito de acesso, não apenas uma recomendação.
- Para importadores, a taxa de irregularidades acima de 10% é um lembrete de que nem toda carga chega nas condições esperadas, e que contar com seguros adequados, parceiros logísticos experientes e processos de inspeção na chegada são partes importantes da gestão de risco em operações de importação.
Boas práticas que fazem a diferença
Algumas medidas simples podem reduzir significativamente o risco de irregularidades nas cargas: verificar a conformidade da documentação antes do embarque, garantir que a marcação e a rotulagem dos produtos atendam às exigências do país de destino, utilizar embalagens adequadas ao tipo de produto e modal de transporte, e assegurar a fixação correta das cargas dentro dos contêineres para evitar movimentação durante o transporte.
No caso de mercadorias perigosas ou com requisitos especiais, o rigor no cumprimento das normas da Organização Marítima Internacional é ainda mais crítico, e a assessoria de um despachante aduaneiro experiente é indispensável.