China impõe novas restrições à exportação de tecnologia para baterias e chips
Em uma medida estratégica para proteger sua liderança global na produção de baterias e semicondutores, a China anunciou restrições significativas à exportação de tecnologias avançadas relacionadas à fabricação de materiais catódicos e ao processamento de gálio - dois insumos críticos para os setores de veículos elétricos (VE) e chips de alta performance.
A decisão do governo chinês visa manter uma vantagem competitiva frente aos Estados Unidos e outros mercados ocidentais, em meio a crescentes tensões comerciais e tecnológicas.
Tecnologia sob controle
As restrições afetarão diretamente a exportação de:
- Tecnologias de produção de gálio - metal fundamental para semicondutores usados em carregadores ultrarrápidos, data centers e sistemas de defesa;
- Tecnologias para materiais de cátodo - essenciais para baterias de íons de lítio utilizadas em veículos elétricos e equipamentos eletrônicos de alto desempenho.
Agora, qualquer transferência internacional dessas tecnologias exigirá aprovação formal do Ministério do Comércio da China.
O domínio chinês nos insumos estratégicos
Atualmente, a China domina cerca de 90% da produção global de gálio e materiais de cátodo. Esses materiais são fundamentais para garantir maior autonomia em veículos elétricos, além de impulsionar a próxima geração de chips semicondutores.
Segundo dados da indústria, a tecnologia de cátodo avançado deverá se tornar padrão a partir do fim de 2025, ampliando sua relevância no comércio global.
Fábricas no exterior e risco de vazamento tecnológico
A decisão do governo chinês ocorre após grandes fabricantes anunciarem expansões internacionais:
- Changzhou Liyuan New Energy Technology - abriu sua primeira unidade na Indonésia;
- Hunan Yuneng - iniciou a construção de uma fábrica na Espanha;
- Hubei Wanrun - já constrói uma planta nos EUA, com início de produção previsto para 2028.
Esses movimentos despertaram preocupações sobre o compartilhamento involuntário de tecnologias proprietárias com governos estrangeiros, especialmente em contextos de exigências regulatórias para operar localmente.
Resposta à pressão dos EUA?
Desde 2023, os Estados Unidos vêm impondo restrições à venda de chips e tecnologias avançadas para empresas chinesas. Observadores internacionais avaliam que a nova postura de Pequim pode ser uma resposta direta a essas barreiras, agora expandindo seu controle não apenas sobre insumos, mas sobre know-how industrial estratégico.
Para o comércio exterior, a medida pode representar um ponto de inflexão. Países e empresas que dependem de insumos chineses para fabricar chips e baterias devem enfrentar:
- Aumento nos custos de produção;
- Escassez de insumos estratégicos;
- Necessidade de buscar alternativas de fornecimento em mercados menos consolidados.
Especialistas alertam que essa nova postura poderá acirrar ainda mais a guerra tecnológica entre China e Estados Unidos, com consequências diretas para a cadeia logística internacional e para empresas importadoras no Brasil e no mundo.