China impõe salvaguardas à importação de carne bovina e afeta exportações brasileiras
A China anunciou no último dia do ano de 2025, a adoção de medidas de salvaguarda contra a importação de carne bovina, estabelecendo cotas por país e uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem esses limites. As restrições entraram em vigor a partir de 1º de janeiro e permanecerão válidas até dezembro de 2028.
A decisão representa um movimento relevante no comércio internacional de proteínas e deve impactar diretamente o Brasil, maior fornecedor de carne bovina ao mercado chinês.
Como funcionam as novas salvaguardas da China
De acordo com o anúncio oficial, cada país exportador terá um volume máximo anual permitido. As exportações que ultrapassarem esse teto estarão sujeitas a uma tarifa punitiva de 55%, o que, na prática, inviabiliza economicamente parte dos embarques excedentes.
As medidas foram adotadas após investigação conduzida pelo Ministério do Comércio da China, que concluiu que o crescimento acelerado das importações causou prejuízos relevantes à indústria pecuária chinesa.
Brasil terá a maior cota, mas impacto é expressivo
Responsável por cerca de 45% de toda a carne bovina importada pela China, o Brasil recebeu a maior cota entre os exportadores, mas ainda assim inferior ao volume atualmente embarcado.
As cotas brasileiras definidas foram:
- 2026: 1,106 milhão de toneladas
- 2027: aumento gradual
- 2028: 1,154 milhão de toneladas
O impacto chama atenção porque, até novembro do ano passado, o Brasil já havia exportado 1,499 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, movimentando US$ 8,028 bilhões. Todo o volume que ultrapassar a cota anual passará a enfrentar a tarifa adicional de 55%.
Cotas definidas para outros grandes exportadores
Além do Brasil, outros fornecedores relevantes também foram enquadrados nas salvaguardas chinesas. As cotas iniciais para 2026 ficaram assim distribuídas:
- Argentina: 511 mil toneladas
- Uruguai: 324 mil toneladas
- Nova Zelândia: 206 mil toneladas
- Austrália: 205 mil toneladas
- Estados Unidos: 164 mil toneladas
A medida afeta praticamente todos os grandes players do comércio global de carne bovina.
Por que a China adotou as salvaguardas?
Segundo o governo chinês, o forte aumento das importações provocou queda significativa nos preços internos, reduzindo a rentabilidade dos pecuaristas locais. O setor produtivo chinês pressionou o governo por medidas de proteção, alegando “graves danos à indústria nacional”.
O objetivo das salvaguardas é conter o avanço das importações, equilibrar o mercado interno e dar fôlego aos produtores domésticos.
Efeitos para o comércio exterior brasileiro
Para o Brasil, a decisão traz desafios importantes:
- Redução do espaço no principal mercado de destino da carne bovina brasileira;
- Necessidade de redirecionar parte da produção para outros mercados;
- Maior pressão sobre preços internacionais e margens dos exportadores;
- Reforço da importância da diversificação de destinos e acordos comerciais.
Ao mesmo tempo, o fato de o Brasil manter a maior cota individual reforça sua posição estratégica como fornecedor global de proteína animal, ainda que sob um ambiente regulatório mais restritivo.