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Conflito no Oriente Médio ameaça o crescimento do comércio global em 2026

20/03/2026

Comércio

Conflito no Oriente Médio ameaça o crescimento do comércio global em 2026

O conflito no Oriente Médio, que já vem causando impactos diretos nas rotas marítimas e nos preços do petróleo, agora também pressiona as projeções do comércio mundial. Um relatório recente da Organização Mundial do Comércio (OMC) aponta que o cenário geopolítico representa uma ameaça concreta ao crescimento do comércio global em 2026, e o Brasil está entre os países que podem sentir os efeitos.

As projeções da OMC

A OMC projeta que o comércio global de mercadorias desacelere para 1,9% em 2026, após alta de 4,6% em 2025. Uma queda expressiva que reflete o acúmulo de tensões geopolíticas e o aumento dos custos com energia.

O crescimento do PIB global também deve moderar, passando de 2,9% em 2025 para 2,8% em 2026. Um recuo modesto, mas que sinaliza um ambiente econômico mais cauteloso e menos favorável ao comércio internacional.

O pior cenário: energia cara por mais tempo

O grande fator de risco apontado pela organização é a permanência dos preços elevados do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL). Se esses preços permanecerem altos ao longo do ano, o PIB global poderia cair 0,3 ponto percentual adicional, com impacto ainda maior sobre o comércio de regiões dependentes de importações de energia. Nesse cenário, o comércio de mercadorias poderia crescer apenas 1,4%, e o de serviços, 4,1%. 

O comércio global de serviços também deve desacelerar em 2026, com previsão de crescimento revisada de 4,8% para 4,1%, reflexo das interrupções em transportes e voos internacionais. 

Uma rota estratégica no centro da crise

Um dos principais pontos de atenção está no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global. Um eventual bloqueio prolongado na região pode comprometer cerca de um terço das importações globais de ureia, insumo essencial para fertilizantes. 

Para o Brasil, isso é especialmente relevante. Esse cenário pode impactar diretamente grandes produtores agrícolas, como Brasil, Índia e Tailândia, ampliando os riscos à segurança alimentar e elevando custos de produção no agronegócio. 

Existe algum cenário positivo?

Sim. A OMC aponta que, se o conflito no Oriente Médio for de curta duração e o comércio ligado à inteligência artificial permanecer forte, o crescimento do comércio poderia se recuperar mais rapidamente. A organização também ressalta que os países podem mitigar o impacto da guerra mantendo políticas comerciais previsíveis e fortalecendo a resiliência das cadeias de suprimentos. 

O que isso significa para importadores e exportadores brasileiros

O cenário descrito pela OMC não é abstrato, ele se traduz em decisões práticas do dia a dia do comércio exterior:

  • Fretes mais caros. Com rotas sendo desviadas e custos de energia em alta, os valores do frete marítimo e aéreo seguem pressionados.
  • Insumos agrícolas em risco. A dependência do Brasil em relação a fertilizantes importados - especialmente ureia - torna o agronegócio vulnerável a qualquer interrupção nas rotas do Oriente Médio.
  • Incerteza cambial. A volatilidade nos preços do petróleo afeta diretamente o câmbio, impactando o custo das importações e a rentabilidade das exportações.
  • Necessidade de diversificação. Empresas que dependem de rotas ou fornecedores únicos estão mais expostas. Ter alternativas logísticas mapeadas deixou de ser opcional.

A guerra no Oriente Médio não é apenas um conflito regional, seus efeitos se espalham pelas cadeias de suprimento globais e chegam até o Brasil de formas concretas: fertilizantes mais caros, fretes em alta e projeções de crescimento revisadas para baixo. Em um cenário de tanta incerteza, planejamento e agilidade operacional fazem toda a diferença.

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