Dois incêndios nos portos de Rio Grande e Itajaí
O final do mês de abril foi de susto para dois dos principais portos do Sul do Brasil. Em menos de 48 horas, guindastes pegaram fogo nos portos de Rio Grande (RS) e Itajaí (SC), gerando paralisações temporárias nas operações e acendendo um alerta sobre a segurança da infraestrutura portuária brasileira.
Rio Grande (RS): incêndio durante operação de fertilizantes
O primeiro incêndio ocorreu na manhã do dia 24 de abril, no Porto de Rio Grande, enquanto um guindaste realizava a transferência de fertilizantes de um navio para caminhões. Durante a operação, os cabos do equipamento romperam, pessoas nas proximidades relataram ter ouvido um barulho semelhante a uma explosão, seguido pelo incêndio.
As operações do porto foram paralisadas temporariamente como medida de segurança, mas já foram retomadas, com a entrada e saída de caminhões liberadas. O episódio chamou atenção especialmente pelo contexto: fertilizantes são cargas sensíveis, e qualquer incidente durante o manuseio pode ter consequências graves para pessoas e equipamentos ao redor.
Itajaí (SC): guindaste em manutenção destruído pelas chamas
Menos de 24 horas depois, foi a vez do Porto de Itajaí. O fogo começou em um terminal de cargas. Quando o Corpo de Bombeiros chegou ao local, aproximadamente 12 minutos após o acionamento, o guindaste já estava completamente tomado pelas chamas, com a cabine e os sistemas mecânicos da parte superior totalmente destruídos.
O equipamento estava em manutenção no momento do incêndio e tinha armazenados cerca de 12 mil litros de diesel e óleo hidráulico no tanque, o que explica a rapidez e a intensidade com que o fogo se alastrou. Apesar da gravidade do incidente, as operações do porto seguem normalmente.
Dois portos estratégicos para o comércio exterior
Não se trata de portos secundários. Rio Grande e Itajaí estão entre os principais terminais portuários do Brasil, com papel relevante no escoamento da produção do agronegócio e de outros setores da economia.
O Porto de Rio Grande é o maior porto do Rio Grande do Sul e um dos principais pontos de entrada e saída de cargas do Sul do país, com destaque para fertilizantes, grãos, celulose e contêineres. Já o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, é um dos mais movimentados do Brasil em contêineres, sendo porta de entrada e saída de grande parte das exportações catarinenses e de estados vizinhos.
Um alerta para a infraestrutura portuária
A coincidência de dois incêndios em portos diferentes, em um intervalo tão curto, levanta questões importantes sobre manutenção, segurança operacional e protocolos de prevenção nos terminais portuários brasileiros.
Guindastes são equipamentos de alto valor e longa vida útil, mas também acumulam riscos quando submetidos a sobrecarga, manutenção inadequada ou quando operam com grandes volumes de combustíveis inflamáveis, como os 12 mil litros de diesel e óleo hidráulico presentes no equipamento de Itajaí. Uma falha nesses ativos pode paralisar operações inteiras e gerar prejuízos significativos para toda a cadeia logística.
Para importadores e exportadores que dependem desses terminais, episódios como esse reforçam a importância de monitorar a situação operacional dos portos, ter planos de contingência para atrasos e contar com parceiros logísticos capazes de identificar alternativas rapidamente quando necessário.