China retoma importação de carne bovina brasileira após suspensão de mais de um ano
Uma boa notícia para o agronegócio brasileiro chegou nesta semana. A China autorizou a retomada das importações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros que estavam com as vendas ao país suspensas desde março de 2025. A decisão foi anunciada após reunião bilateral em Pequim entre autoridades dos dois países e representa um avanço importante para o setor exportador nacional.
O que foi decidido
As plantas reabilitadas são unidades localizadas em Mozarlândia (GO), Nanuque (MG) e Presidente Prudente (SP). A suspensão havia sido comunicada ao governo brasileiro pela Administração-Geral de Aduanas da China em março de 2025.
Além da reabilitação das três plantas, o Brasil já sinalizou que vai além: o secretário de comércio e relações internacionais do Ministério da Agricultura anunciou que foi solicitada a liberação de 33 novos frigoríficos - um movimento que mostra a ambição do setor em ampliar ainda mais sua presença no mercado chinês.
Um mercado que já estava em alta
A retomada das habilitações chega em um momento em que as exportações brasileiras de carne para a China já vinham quebrando recordes. Em abril de 2026, a receita de venda para o país asiático alcançou US$ 877,39 milhões, valor 66,4% mais alto do que o observado em abril de 2025. O preço médio da carne bovina brasileira exportada para a China ficou em US$ 6,48 por kg.
No acumulado de 2026, até abril, a venda de carne bovina do Brasil para a China somou 460,89 mil toneladas métricas, valor 19,3% acima do registrado no mesmo período de 2025. Com a reabilitação das três plantas suspensas, esse volume tende a crescer ainda mais nos próximos meses.
A importância estratégica da China
O Brasil se consolidou como o maior exportador mundial de carne bovina, e a China representa cerca de 53% das exportações totais de carne do país. Nenhum outro mercado tem peso comparável para o setor, o que torna qualquer suspensão ou retomada de habilitações um evento de grande impacto econômico.
Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil já exportou mais de 612 mil toneladas para o mercado chinês, equivalente a mais da metade da cota anual atualmente permitida.
As novas regras do jogo
A retomada das exportações, no entanto, acontece em um ambiente regulatório mais exigente. A China aplicará, a partir de 2026, uma tarifa de 55% sobre a importação de carne bovina que exceder as cotas anuais estabelecidas para países como o Brasil.
O cronograma definido para o Brasil prevê crescimento gradual até 2028: em 2026, o limite será de 1,10 milhão de toneladas; em 2027, sobe para 1,12 milhão; e em 2028, chega a 1,15 milhão de toneladas. Ou seja, exportar dentro da cota é estratégico, ultrapassar o limite significa enfrentar uma tarifa punitiva de 55%.
Um contraponto ao veto europeu
A notícia chega em um momento especialmente oportuno. Na mesma semana, a União Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco, com efeito a partir de setembro. A retomada das habilitações na China funciona como um contrapeso importante, reforçando a estratégia brasileira de diversificação de mercados e redução da dependência de qualquer destino único.