EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova proposta de tarifa de 25% sobre importações brasileiras, após o Escritório do Representante Comercial dos EUA concluir uma investigação que aponta práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. A medida gerou reação imediata do governo brasileiro e movimentou os mercados, mas a extensa lista de exceções que acompanha a proposta ameniza parte do impacto potencial.
O que foi proposto
A tarifa de 25% se aplicaria a uma ampla gama de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. No entanto, a proposta vem acompanhada de uma lista de exceções com nada menos do que 73 páginas, um documento extenso que poupa setores estratégicos da pauta exportadora nacional.
Entre os produtos que ficam de fora da tarifa estão carnes bovinas, café, suco de laranja, aeronaves e peças (o que protege diretamente a indústria aeronáutica brasileira), terras-raras, frutas como manga e açaí, além de medicamentos, vacinas e equipamentos de tecnologia.
Na prática, os principais produtos do agronegócio e da indústria de alta tecnologia do Brasil seguem protegidos. o que limita consideravelmente o impacto econômico direto da medida.
Por que os EUA tomaram essa decisão
A investigação do Escritório do Representante Comercial apontou uma série de práticas brasileiras consideradas desleais pelo governo americano. Entre os motivos listados estão o favorecimento do Pix em detrimento de serviços de pagamento americanos, acordos comerciais preferenciais do Brasil com México e Índia, a tarifa de 18% cobrada sobre o etanol americano, falhas no combate à pirataria e à corrupção, lentidão na concessão de patentes e o desmatamento ilegal com impacto na concorrência agrícola.
É um conjunto heterogêneo de justificativas, que mistura questões regulatórias, tributárias, ambientais e de propriedade intelectual, o que sugere que a proposta tem também um componente de pressão negociadora por parte de Washington.
A reação do Brasil
O governo brasileiro reagiu com rapidez. O ministro da Fazenda classificou o cenário como preocupante, um sinal de que, apesar das exceções, a proposta é encarada com seriedade pelo governo. A expectativa é de que o Brasil apresente uma resposta técnica e diplomática nos próximos dias, com foco em negociar a redução do escopo da tarifa ou apresentar contrapropostas nas áreas que motivaram a investigação americana.
O impacto nos mercados
A reação dos mercados foi imediata, mas moderada. O dólar recuou ante o real na segunda-feira. O Ibovespa caiu 0,91%, encerrando o dia aos 172.197 pontos. Investidores aguardam agora posicionamentos oficiais de ambos os lados para avaliar os próximos passos das negociações e o real alcance da proposta.
O que pode ser afetado
Apesar da lista extensa de exceções, produtos industrializados que não estejam contemplados nas 73 páginas de isenções podem ser diretamente afetados por uma tarifa de 25%, o que representa um aumento de custo significativo para exportadores brasileiros nesses segmentos.
Setores como calçados, têxteis, móveis, papel e celulose, produtos químicos e autopeças merecem atenção especial nas próximas semanas, até que o escopo definitivo da medida seja publicado e analisado com mais detalhes.
Um padrão que se repete
A proposta americana contra o Brasil segue um padrão que já foi visto com outros parceiros comerciais: anúncio de tarifa elevada, lista extensa de exceções e abertura para negociações. O objetivo muitas vezes não é a aplicação integral da tarifa, mas a criação de pressão para que o país alvo ceda em pontos específicos da agenda comercial americana.
Para o Brasil, o desafio é responder de forma firme e técnica, sem acirrar o conflito, especialmente em um momento em que o país já lida com o veto europeu às carnes e com a instabilidade nas rotas marítimas gerada pelo conflito no Oriente Médio.