Fretes marítimos disparam 12% e a tendência é de alta
O mercado de fretes marítimos voltou a dar sinais de pressão intensa. O Índice Mundial de Contêineres da consultora Drewry registrou alta de 12% em apenas uma semana, chegando a US$ 2.553 por contêiner de 40 pés. O movimento atinge principalmente as rotas transpacífica e Ásia-Europa, e a tendência, segundo especialistas, é de continuidade da alta nas próximas semanas.
Os números por rota
A alta não foi uniforme, mas generalizada. As rotas com maior pressão foram:
- Xangai?Nova York: alta de 14%, chegando a US$ 4.252 por contêiner de 40 pés, um dos maiores valores registrados nos últimos meses nessa rota.
- Xangai?Los Angeles: alta de 10%, atingindo US$ 3.357, reflexo direto da pressão crescente na rota transpacífica, a mais movimentada do mundo.
- Xangai?Gênova: disparada de 20%, chegando a US$ 3.701, o maior salto percentual da semana, sinalizando forte pressão na rota Ásia-Mediterrâneo.
- Xangai?Roterdã: alta de 11%, com o frete atingindo US$ 2.413 por contêiner, confirmando a tendência de alta generalizada na rota Ásia-Europa.
Por que os fretes estão subindo
Dois fatores principais explicam a disparada desta semana:
- Sobretaxas de combustível e alta temporada. As armadoras estão aplicando sobretaxas de combustível de emergência (EFS) e encargos de alta temporada (PSS), mecanismos que permitem repassar custos operacionais adicionais aos fretes de forma rápida. Com o preço dos combustíveis ainda em patamar elevado, essas cobranças extras têm peso significativo no valor final do frete.
- Cancelamento de saídas. As armadoras cancelaram sete saídas na rota transpacífica para a próxima semana como estratégia de gestão de capacidade, ou seja, reduzem a oferta de espaço para sustentar os preços. Com menos navios disponíveis e a mesma demanda, os fretes sobem.
Alta temporada chegando antes do previsto
Um dado relevante é que a temporada alta nas rotas Ásia-Europa deve começar antes do esperado neste ano. O aumento nas reservas de carga e a redução do espaço disponível nos navios indicam que importadores e exportadores estão antecipando embarques, possivelmente por receio de que os fretes subam ainda mais nas próximas semanas.
Essa antecipação cria um efeito autorrealizável: quanto mais empresas correm para reservar espaço, maior é a pressão sobre a capacidade disponível, o que acaba elevando ainda mais os fretes.
O que isso significa para importadores e exportadores brasileiros
A alta nos fretes internacionais chega em um momento já delicado para o comércio exterior brasileiro, que vinha absorvendo os impactos do conflito no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz. A combinação de rotas mais longas com fretes em alta eleva o custo total das operações de importação e exportação de forma expressiva.
Para importadores, o impacto é imediato: mercadorias vindas da Ásia ou da Europa ficam mais caras, o que pressiona margens e pode forçar reajustes de preço ao consumidor final.
Para exportadores, fretes mais altos reduzem a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, especialmente em setores com margens mais apertadas, como alimentos processados e têxteis.
O que fazer diante desse cenário
Algumas estratégias podem ajudar a minimizar o impacto da alta nos fretes:
Antecipar reservas. Com a tendência de alta em curso, garantir espaço nos navios com antecedência pode significar fretes mais baixos do que os que serão praticados nas próximas semanas.
Avaliar rotas alternativas. Dependendo do origem e destino da carga, rotas alternativas ou modais complementares podem oferecer custos mais competitivos.
Negociar contratos de médio prazo. Em momentos de alta, contratos com valores fixados por períodos mais longos podem proteger contra oscilações futuras.
Monitorar os índices semanalmente. O mercado está se movendo rápido, acompanhar os índices de frete com regularidade permite decisões mais ágeis e embasadas.