Revisões no terminal de Santos ameaçam cronograma e podem atrasar leilão
O maior projeto de arrendamento portuário do Brasil enfrenta mais um obstáculo. Mudanças no projeto do novo terminal de contêineres do Porto de Santos podem atrasar ainda mais o leilão do Tecon Santos 10, que já havia sido postergado de 2025 para o segundo semestre de 2026, e até obrigar a retomada completa do processo licitatório.
O que está em jogo
O Tecon Santos 10 é considerado o maior projeto de arrendamento portuário do país. O empreendimento prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos e uma expansão de cerca de 50% da capacidade de movimentação de contêineres no Porto de Santos, o maior porto da América Latina e principal porta de entrada e saída do comércio exterior brasileiro.
O impacto potencial do projeto para o setor é enorme: mais capacidade em Santos significa mais agilidade, mais competitividade e, no médio prazo, fretes mais acessíveis para importadores e exportadores que dependem do modal marítimo.
Por que o leilão pode atrasar ainda mais
O governo está avaliando ajustes no projeto com o objetivo de ampliar a concorrência entre os interessados. O problema é que, dependendo da profundidade das alterações, o projeto precisará passar por uma nova análise do Tribunal de Contas da União (TCU), o que amplia os prazos e gera incertezas no setor.
Os pontos mais sensíveis da revisão envolvem a definição de grupo econômico, o conceito de movimentação relevante e o prazo para desinvestimento. Essas questões podem alterar significativamente o modelo atual e, na prática, criar uma nova versão da licitação, o que equivale, em termos de prazo, a recomeçar o processo.
Um histórico de atrasos
O cronograma do Tecon Santos 10 já acumula postergações. O leilão, que originalmente estava previsto para 2025, foi adiado para o segundo semestre de 2026. Agora, com as revisões em curso e a possibilidade de nova análise pelo TCU, até esse prazo revisado passa a ser incerto.
As causas dos atrasos combinam divergências regulatórias internas e pressão do mercado sobre aspectos do modelo de concessão, um cenário que não é novo em grandes projetos de infraestrutura no Brasil, mas que tem consequências reais para quem depende da expansão da capacidade portuária.
O que isso significa para o comércio exterior
Santos já opera sob pressão. O porto é responsável por uma parcela expressiva do fluxo de importação e exportação do Brasil, e a demanda por capacidade de movimentação de contêineres só cresce. Qualquer atraso na expansão da infraestrutura tem impacto direto nos custos e prazos das operações.
Para importadores e exportadores, o cenário de incerteza em torno do Tecon Santos 10 reforça a importância de diversificar rotas e terminais, considerando alternativas como Paranaguá, Itajaí, Suape e outros portos brasileiros que vêm expandindo sua capacidade e eficiência operacional.